segunda-feira, 6 de março de 2017

Escândalo da mensalidade portuguesa a Zé Dirceu vai chegar no filho de Lula

Claudio Tognolli

O Ministério Público português investiga se o ex-ministro José Dirceu recebeu, entre março de 2011 e julho de 2014, uma “mesada” de ¤ 30 mil (cerca de R$ 99,3 mil) de um executivo da Portugal Telecom. O objetivo seria fazer com que ele usasse sua influência para auxiliar a PT, então maior empresa de Portugal, a comprar uma participação na Oi/Telemar.

As acusações são do procurador Rosário Teixeira no âmbito da Operação Marquês -espécie de Lava Jato lusa- e foram reveladas pela revista “Visão” e pelo jornal “Observador”. Dirceu está preso desde agosto de 2015. Ele foi condenado a 23 anos de prisão por esquema de corrupção descoberto no mensalão.

Os periódicos portugueses tiveram acesso ao conteúdo do interrogatório de quatro horas do ex-banqueiro Ricardo Salgado, acusado de comandar o esquema de corrupção na Portugal Telecom. Salgado esteve à frente do BES (Banco Espírito Santo), um acionista da companhia.

Zé Dirceu 


Vou te lembrar do contexto:

No início de setembro de 2015 o semanário Sol, revelou que na casa de Luís Oliveira Silva, sócio e irmão de José Dirceu, o antigo homem forte de Lula da Silva, a Polícia Federal apreendeu um documento com uma anotação sobre a “Portugal Telecom”.

Agora um extrato datado de 2 de novembro de 2015:

“Foi neste contexto que o ex-Presidente da República Mário Soares foi sondado pela PT, para ajudar a criar pontes com o Presidente Lula. E é Soares que aconselha Granadeiro a procurar o escritório de advocacia Fernando Lima, João Abrantes Serra e José Pedro Fernandes, a LSF & Associados. O gabinete é sócio no Brasil de José Dirceu, o líder petista conhecido como facilitador de negócios, a quem a LSF chegara anos antes por via de José Pedro Fernandes. Mas será Abrantes Serra a apresentar Dirceu a Nuno Vasconcelos e a Rafael Mora, da Ongoing (e a Miguel Relvas). Dirceu, que surgiu nos epicentros dos grandes escândalos que rebentaram no Brasil (“mensalão”, Lava-Jato e “petrolão”), é classificado pela Polícia Federal como o “chefe da quadrilha”

Entenderam?

A Andrade Gutierrez foi a empreiteira que comprou por 4 milhões de reais a empresa de Lulinha, em 2005. Via Sergio Andrade, Lulinha vendeu à Telemar, do mesmo Sérgio, seu negócio de Ronaldinho. O MPF inocentou Lulinha.

A Telemar ficou tão grande que virou a Oi.

O ex-primeiro-ministro português José Sócrates, detido em 2014 em meio a uma investigação por fraude fiscal e corrupção (que bate no Brasil)


Mas agora a bomba explode em Portugal: a telefonia brasileira, via construtora Andrade Gutierrez, molhou a mão de políticos portugueses, como até o presidente Mario Soares, num gigantesco esquema de corrupção.

Outro trecho:

“As investigações que hoje decorrem no Brasil e em Portugal, de modo autónomo, mas com canais abertos, já deixam levantar a ponta do véu sobre possíveis pagamentos de várias dezenas de milhões de euros ao universo restrito do ex-Presidente da República Lula da Silva, bem como a ex-governantes e gestores brasileiros e portugueses. Movimentos financeiros que as autoridades suspeitam poderem ter saído de veículos internacionais ligados aos accionistas da Oi, encabeçados pela construtora Andrade Gutierrez, através de territórios como Angola (onde opera também via Zagope) e Venezuela…

…O presidente da Andrade Gutierrez é réu no processo Lava-Jato, sendo-lhe atribuídos os crimes de corrupção, de lavagem de dinheiro e de organização criminosa. Otávio Azevedo é considerado a cabeça da engrenagem que possibilitou o acordo entre a PT e a Oi em Julho de 2010. Um negócio que necessitou de múltiplas autorizações políticas dos dois lados do Atlântico e que começou a ser preparado no final de 2007 como resposta à intenção firme da Telefónica de adquirir os 50% da brasileira Vivo que estavam nas mãos da PT e que era o motor de crescimento da empresa portuguesa”.

Ou seja: a empreiteira-telefônica que comprou a empresa do Ronaldinho de Lula é investigada por ter corrompido políticos portugueses com a ajuda de Zé Dirceu…

Querem ler mais?


Te conto mais…

Em 1965, no governo Castelo Branco, foi criada a Embratel.

Em 1972, pela lei nº 5.792, foi criada a Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás) com a incumbência de centralizar, padronizar e modernizar as diversas empresas de telecomunicações concessionárias de serviços públicos que existiam, além da Embratel.

A Telebrás foi desativada pelo governo FHC em 1998 e reativada por Luiz Inácio Lula da Silva em 2010 para gerir o Plano Nacional de Banda Larga, as infraestruturas de fibra ótica da Petrobrás e da Eletrobrás e o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações.

O Sistema Telebrás foi privatizado em função de uma mudança constitucional no ano de 1995, e com a promulgação da Lei Geral de Telecomunicações.

Em 2002 foi criada a Oi, braço de telefonia móvel da Telemar Norte Leste S.A. e, em 2007, a Oi tornou-se a marca única de todos os serviços. Em 2005 a Oi, inexplicavelmente, investiu R$ 5 milhões na desconhecida Gamecorp, empresa de games que tinha Fábio Luís Lula da Silva (o Lulinha) como sócio.

O presidente Lula, em 2010, interferiu para que a Portugal Telecom comprasse 23% do capital da Oi. Em 2011 as duas empresas se fundiram e a nova tele passou a operar no Brasil, Portugal e África. A PT injetou R$ 14 bilhões, mas trouxe uma dívida escondida de 897 milhões de euros.

A Oi entrou com pedido de recuperação judicial de R$ 65,4 bilhões, mas sua dívida inviabiliza qualquer tipo de negociação.

O pedido de recuperação judicial da Oi, que cita no processo R$ 65,4 bilhões em dívidas, é o maior da história do Brasil, segundo levantamento do especialista Guilherme Marcondes Machado, da PLKC advogados. Até então, o maior era o da Sete Brasil (empresa de sondas de águas ultraprofundas), que envolveu R$ 19,3 bilhões

Foi furo do jornal O Globo, confira o link:


A Andrade Gutierrez foi a empreiteira que comprou por 4 milhões de reais a empresa de Lulinha, em 2005. Via Sergio Andrade, Lulinha vendeu à Telemar, do mesmo Sérgio, seu negócio de Ronaldinho. O MPF inocentou Lulinha.

Voltando a Portugal….

Essa farra da Supertele verde e amarela logo depois abandou as cores da seleção canarinho com a entrada da Portugal Telecom no negócio.

Autoridades portuguesas escaralham a Portugal Telecom e suas ilicitudes.

José Sócrates, ex-primeiro ministro foi detido em novembro de 2014 por suposta corrupção.Premiê entre 2005 e 2011, ele foi dispensado do uso de pulseira eletrônica em outubro do ano passado.

Motivo? Meteu-se nas ilicitudes da Portugal Telecom versus lulismo.

Eis editorial de um matutino português, de 2016. A exemplo de Lula, ele tenta silenciar a “ mídia golpista” que o investiga:

“José Sócrates volta a tentar silenciar o Correio da Manhã, quatro meses depois de ter sido levantada a infame mordaça, que vigorou 129 dias, ditada a gosto deste arguido por juíza sem competência para tal. O retomar desta iniciativa contra o Direito à Informação leva-nos a questionar o seu critério de oportunidade: por que agora? E será para responder a essa pergunta que o CM virará desde já os seus esforços de investigação jornalística. As mais recentes informações sobre o processo Marquês apontam para o Brasil.”

“Com dois negócios que empobreceram Portugal sob suspeita: a venda da posição da PT na Vivo, uma empresa em crescimento e tecnologicamente pujante; com a posterior entrada da mesma PT na Oi, uma empresa decadente, anquilosada no plano tecnológico e dominada por figuras agora a contas com a Justiça brasileira no âmbito da investigação Lava Jato.”

“Nestes negócios desastrosos para Portugal, a PT entregou 3,7 mil milhões de euros ao ‘telegangue’ brasileiro. Os 18 milhões que estão sob investigação na esfera de Zeinal Bava, sendo uma fortuna, são meros amendoins quando, no plano da decisão política, se movimentaram figuras como Sócrates e Lula da Silva. O CM confia na Justiça portuguesa e não desistirá de investigar mais esta linha de empobrecimento do nosso País às mãos de quem tinha jurado defender o interesse público.”

O presidente Lula, em 2010, interferiu para que a Portugal Telecom comprasse 23% do capital da Oi. Em 2011 as duas empresas se fundiram e a nova tele passou a operar no Brasil, Portugal e África. A PT injetou R$ 14 bilhões, mas trouxe uma dívida encapsulada de 897 milhões de euros.

A Oi entrou com pedido de recuperação judicial de R$ 65,4 bilhões.

E o filho de Lula foi quem levou a melhor…

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