Perfil da perversidade
Há muitos anos venho acompanhando a trajetória
política de Roberto Requião, como sempre me interessei muito por política,
desde muito menino procurava me inteirar dos assuntos no meu município e no meu
Estado. Requião sempre foi um ser político bizarro, das histórias do
Ferreirinha, às perguntas indiscretas feitas a eleitoras sobre traição conjugal,
bate-bocas com a imprensa, murros, agressões, troca de acusações ao então
ministro do Planejamento Paulo Bernardo, enfim, Roberto Requião sempre foi um
ser político diferente e estranho. Hora “boa praça”, hora truculento, do nada
agredindo as pessoas com palavras, hora fazendo elogios. Este depoimento a
seguir é datado de maio de 2011, mas é importante postar para que as pessoas
possam fazer uma analise de como o atual senador do Paraná, age quando quer “arrebentar”
com alguém que é seu desafeto, ou que simplesmente ele deseja tirar do seu
caminho. Não solicitei a permissão do autor para postar seu texto, uma vez que
o mesmo já foi publicado em diversos blogs, sites e até mesmo em uma revista de
circulação nacional.
*Eudes Moraes
Era 1997, no
Senado Federal rolava uma CPI, chamada de Precatórios. Como um modesto cidadão,
eu não a acompanhava e confesso que nem sabia do que se tratava.
Num domingo à
tarde, recebi um telefonema do jornalista Fábio Campana. “Há uma armação contra
você” – e me enviou um fax, de uma nota publicada no jornal O Dia, do Rio de Janeiro. “A CPI dos
Precatórios, está próxima de apanhar o Dr. Renê (Até então, esse personagem,
não tinha sobrenome e era citado na CPI, por uma operação de 10 milhões de
dólares). Trata-se de um empresário de Curitiba, de sobrenome Moraes. Dava o
endereço do meu escritório e os quatro números finais do meu celular”.
Li, não entendi
nada, mas fiquei apreensivo. Não demorou muito e tocou o meu celular (era um PT
550, da Motorola, um tijolão que por ser analógico, não binava. “É Eudes
Moraes?” “Sim”, respondi. “Assista, amanhã, a TV Senado”. Dez minutos
depois, recebi outra chamada. “Eudes Moraes?” “Sim”, respondi. “Aqui é o
banqueiro Fausto Solano. Estou ligando pra te avisar que a Polícia Federal já
descobriu tudo e que amanhã, ao rair do dia, todos seremos presos por causa
daquela operação”. “Olha! Cidadão”, respondi, “Eu não o conheço e não sei de
que operação se trata. Se houver prisões, eu não serei preso porque nada fiz”.
Ele desligou!
No dia seguinte,
li nos jornais, que o Senador Requião, enquanto mastigava uma pizza, fazia
ligações aterradoras para um empresário em Curitiba.
Na 2ª feira, reuni
em minha casa alguns amigos e assistimos a TV Senado. Lá estavam alguns
diretores do extinto Banestado. Bernardo Cabral era o Presidente da CPI e
Requião, o relator. “Senhor Presidente, tenho umas perguntas que dizem respeito
ao meu estado e perguntou aos depoentes se conheciam o tal Dr. Renê”. Diante de
sonoros nãos, emendou a pergunta: “Mas, conhecem o empresário Eudes Moraes?”
Entre nãos e de vista, ele foi diabólico: “Faço aqui uma grave denúncia. O Dr.
Renê que essa CPI, Polícia Federal e a Receita Federal procuram, é o empresário
Eudes Moraes”. Dito isso, divulgou todos os meus números de telefones e pediu à
Senadora Emilia Fernandes que cruzasse os dados.
Não preciso dizer
que, no dia seguinte, tive que enfrentar a mídia nacional que me fazia bateriais
de perguntas.
Indignado e puto
da vida, procurei o escritório do competente advogado João Ricardo Cunha de
Almeida. Ele notificou os jornais, televisões e TV Senado, para manterem em
arquivo o material veiculado. A lei de imprensa era diferente da que vigora
hoje. Teríamos que processar os jornais e TVs, para que eles fizessem demanda
regressiva. Como se arrastaria pelo tempo e ele tinha imunidade parlamentar,
optamos pelo não ajuizamento de ações. Meu advogado encaminhou requerimento à
CPI e ao Senador ACM, para que eu fosse ouvido na CPI. Nunca me foi dado esse
direito. O estrago da minha imagem e do meu emocional foi o resultado dessa
irresponsabilidade e molecagem requianista.
Fiquei 30 dias na
mídia, até que as autoridades divulgassem o sobrenome do Dr. Renê, um
brasileiro que atuava no mercado financeiro e residia em Miami. Depois,
fiquei sabendo que o Requião agira em causa própria e pensava, com isso,
atingir o seu arquiinimigo político, Jaime Lerner, de quem sou aliado e amigo.
À época, eu figurava como um dos proprietários da CBN Curitiba e o Requião
sempre achou que a imprensa deve dar espaços só para ele, perguntar só o
que lhe convém, esconder seus podres e ressaltar suas poucas virtudes. Ele se
diz jornalista, mas odeia a sua classe.
O jornalista
Celso Nascimento, da Gazeta do Povo,
publicou, em 28/04/11 um resumo curioso: “Uma rápida passagem pela memória nos
trará à tona alguns casos bastante ilustrativos para demonstrar que o episódio
ocorrido em Brasília não deveria constituir surpresa para ninguém:
• Em 2006, diante
uma plateia lotada no Teatro Guaíra e na presença de seu ídolo Hugo Chávez,
usou o microfone para mandar à m… um grupo de jovens que o vaiavam;
• Em 2007, pediu
a um grupo de humildes agricultores que enfiassem no r… os mastros das faixas
de protesto que ostentavam durante um encontro de produtores rurais no Sudoeste
do estado;
• Em 2004, torceu
até quase fraturar o dedo de um repórter da RPC que tentava entrevistá-lo num
cidade do Norte do estado;
• Durante a
campanha de 2010, após proferir provocações, recebeu um soco no rosto desferido
pelo deputado Rubens Bueno;
• Também em 2010,
foi surrado no interior de um restaurante, no litoral, por João Feio, um amigo
e assessor do então governador Orlando Pessuti, a quem havia ofendido;
• Em 2006, a
funcionários públicos que reivindicavam melhorias salariais, ameaçou com
“cacete e cadeia”;
• Na campanha de
2006, viu-se obrigado a pedir desculpas públicas por perguntar, repetidamente,
a eleitoras se “traíam os maridos”;
• Em 1994, foi publicamente
esmurrado por um ex-amigo, igualmente ofendido, no saguão de um hotel em
Londrina;
• Ao longo de
anos, manifestou valentia contra desafetos durante as apresentações televisivas
das terças-feiras da Escolinha de Governo, o que lhe rendeu inúmeros processos
cíveis e criminais e milionárias multas”.
“Requião costuma
jactar-se da própria coragem e seriedade. Atribui a truculência a um suposto
acendrado desejo de defender o estado, o povo e o país contra os ladrões. Há
quem acredite nisso tudo – e por isso vota. Não se tire a legitimidade dos
mandatos que sucessivamente conquistou. Foram manifestações democráticas, votos
livres e soberanos de todo cidadão que fez a opção por ele. Nem por esse
motivo, porém, o senador, como homem público e detentor de mandato, pode
ficar acima da crítica e da lei. E é direito de todos manifestar o que pensam
dele e de pedir-lhe que represente melhor, mais dignamente o estado que
representa – e que seja motivo de orgulho, e não de vergonha, para os
paranaenses”.
“A última dele,
foi o constrangedor episódio que protagonizou em Brasília, quando, irritado com
perguntas pertinentes de um repórter a respeito de sua aposentadoria de
ex-governador, ameaçou-o dar-lhe uma surra e tomou-lhe o gravador com o intuito
de apagar o conteúdo. Um caso típico de assalto; de avanço criminoso à coisa
alheia; de desrespeito ao profissional e de atentado à liberdade de imprensa”.
“Ter Requião no
Senado é, pois, para o Paraná, um caso de arrependimento – o estado e seu povo
não merecem nem aprovam esse tipo de comportamento vindo de um representante
seu na mais alta Casa do Legislativo brasileiro”.
A truculência
dele contra mim está nos anais do Senado, na história e na minha memória. Eu
não sei a que legião demoníaca ele servia e nem que tipo de diabo estava por
trás, mas sei que “quem bate esquece e quem apanha nunca apaga da memória
a surra que leva”.
Ao ver na TV mais
uma das suas, desta vez contra um jornalista da Radio Bandeirantes e lendo o
que o Jornalista Celso Nascimento publicou e como senti na pele o seu ódio e o
peso de suas maldades, estou indignado e envergonhado.
Sinceramente, se
existe, além desta vida, algum lugar privilegiado e eu for contemplado e por
lá, eu ver o Requião, pedirei a minha imediata transferência para o inferno porque,
certamente, ele vai infernizar o céu.
* Eudes Moraes é empresário em Curitiba. Graduado em Psicologia, Teologia, Filosofia e
Direito.
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