quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Zé Dirceu se considera ‘prisioneiro político de julgamento de exceção’

De Vera Rosa e Felipe Frazão, de O Estado de S.Paulo


Zé Dirceu tem muito que aprender com a bandidagem na cadeia, ou será que ele tem muito a ensinar?

Condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, jantou na terça-feira, 23, na casa do prefeito de Osasco (SP), Emídio de Souza (PT). À mesa, bacalhau, vinho, eleições, José Serra e mensalão. No diagnóstico de Dirceu, o Supremo “leva a situação para o pior cenário possível”.

Entre uma e outra recordação das disputas para deputado estadual e federal – a primeira delas em 1987, quando se tornou constituinte de São Paulo -, o ex-todo-poderoso ministro do governo Lula comentou que, se for para a cadeia, vai se declarar “prisioneiro político de um julgamento de exceção”.

Depois do 2.º turno da eleição, o PT divulgará um manifesto em tom duro, com críticas ao Judiciário. A estratégia do partido também prevê a cobrança do julgamento dos réus do “mensalão tucano”, por parte do Supremo.

Sem alívio. À espera de sua pena, que a Corte máxima vai impor, Dirceu disse estar “preparado” para o pior. Na sua avaliação, o Supremo “não vai aliviar em nada” no cálculo da punição, a chamada dosimetria – em tese, ele pode pegar de 3 a 15 anos de reclusão.

O ex-ministro chegou ao apartamento do prefeito de Osasco acompanhado da mulher, Evanise Santos. Parecia bem disposto, animado, contrapondo-se ao aspecto abatido que carregava antes de o STF dar início ao seu julgamento. Até cortou os cabelos, que já estavam abaixo da nuca.

Fixação. Dirceu soltou boas gargalhadas cada vez que os convivas falavam da “fixação do Serra” por ele. Era uma alusão aos debates da campanha à Prefeitura de São Paulo em que José Serra (PSDB) tem provocado Fernando Haddad, do PT, ao destacar a condenação do ex-ministro.

Foi uma noite agradável, relataram convidados. Emídio, pré- candidato do PT ao governo do Estado em 2014, recebeu dez amigos para o jantar, entre eles o deputado federal Vicente Cândido (PT) e sua mulher, Eva, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, defensor do ex-ministro na ação penal 470, o prefeito eleito de Osasco, Jorge Lapas (PT), e Marco Aurélio Carvalho, coordenador do Setorial Jurídico do PT.

Solidariedade. “O jantar foi uma manifestação de solidariedade, um ato de carinho a nosso companheiro José Dirceu”, disse Carvalho.

Emídio e Dirceu são amigos de muitos anos. Na conversa, o ex-ministro comemorou o desempenho do PT nas eleições. Para ele, o partido se mostrou “forte e enraizado” e Fernando Haddad já pode se considerar eleito.

Dirceu fez menção de gratidão ao ex-ministro de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi. Na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais, Vanucchi disse que a partir de agora o PT vai acompanhar “com lupa” cada voto dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Acuado por CPI na Assembleia, Ibope divulga hoje pesquisa em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa

Ibope apontava vitória de Chico Brasileiro em Foz do Iguaçu.
O instituto Ibope, alvo de investigação de uma CPI na Assembleia Legislativa do Paraná, divulga nesta sexta-feira (19) mais três pesquisas sobre a disputa do segundo turno em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa. Os levantamentos foram encomendados pela RPC TV, afiliada da Rede Globo.

A “CPI do Ibope” conta com apoio de 23 deputados paranaenses, cinco a mais do necessário (18 parlamentares ou um terço). A comissão ainda não foi instalada oficialmente pela mesa executiva da Casa.

A inciativa de investigar o Ibope partiu do deputado Reni Pereira (PSB), eleito prefeito de Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, contrariando as sondagens do instituto que o colocava atrás do adversário Chico Brasileiro (PCdoB) um dia antes das eleições de 7 de outubro.

A pergunta que se faz nos meios políticos paranaenses é a seguinte: será que o Ibope vai acertar desta vez?

Do blog do Esmael

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Mensalão: tornozeleira neles!

Do Lauro Jardim

Monitoramento dos mensaleiros

Um grupo de procuradores da República vai se reunir com Roberto Gurgel na semana que vem. Pedirá para ele reforçar junto ao STF a necessidade da prisão imediata dos condenados do mensalão tão logo seja encerrado o julgamento.

Caso Joaquim Barbosa não acate o pedido, os procuradores querem que Gurgel faça outra solicitação ao ministro: a determinação do uso de tornozeleiras eletrônicas para que os condenados não fujam do país até o trânsito em julgado do caso.
No meu ponto de vista é uma ótima solução, pois bandido deve ser vigiado noite e dia, ainda mais estes que estão sendo condenados pelo supremo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Augustinho Zucchi é o novo prefeito de Pato Branco



Eleito no dia sete de outubro de 2012, o atual deputado Estadual Augustinho Zucchi (PDT), assumirá o Poder Executivo de Pato Branco no dia 1 de janeiro de 2013. Zucchi recebeu o apoio do governador Beto Richa (PSDB), do subchefe da Casa Civil, Guto Silva (PSD), do secretário para Assuntos Estratégicos, Edson Casagrande (DEM) e da maioria da população votante do município.

"Fico feliz e agradeço muita à população, que me acolheu muito bem. O resultado foi dividido porque a população está dividida, e andando pelas ruas a gente percebia isto. Agradeço os partidos e lideranças políticas importantes que estiveram ao nosso lado", destacou o prefeito eleito. Sobre a diferença nas urnas, Zucchi destacou: "Compreendo este resultado, ele não me pegou de surpresa. Entendo que a população estava dividida, havia um sentimento muito forte de mudança. Houve um sinal claro nas urnas e temos que refletir sobre o resultado, e dar o valor que a disputa teve. Eles trabalharam com um conceito de mudança que teve ressonância na população." Sobre a expectativa para o seu governo, Zucchi disse que pretende seguir o plano de governo com o qual trabalhou na eleição. "Espero poder contribuir decisivamente para o futuro de nosso município e quero unir o município em torno de projeto que fiz. Vou concentrar no nosso projeto. Vou estabelecer uma equipe competente e fazer uma reorganização do administrativo da prefeitura."

Dos cinco candidatos a vereadores que se candidataram a reeleição, todos lograram exito e para o próximo ano o Poder Legislativo ficará assim composto:

Leunira Viganó Tesser (PDT) – 3.030 votos – 7,15%
Ito Oliveira (PV) – 2.008 votos – 4,74%
Biruba (PSD) – 1.649 votos – 3,89%
Tasca (DEM) – 1.506 votos – 3,55%
Enio Ruaro (PR) – 1.421 votos – 3,35%
Maccari (PDT) – 1.419 votos – 3,35%
Guilherme Silvério (PMDB) – 1.385 votos – 3,27%
Raffael Cantu (PC do B) – 1.357 votos – 3,20%
Gilson Feitosa (PT) – 1.285 votos – 3,03%
Laurindo Cesa (PSDB) – 1.186 votos – 2,80%
Polazzo (PP) – 1.087 votos – 2,56%

Mensaleiros condenados



Fim de linha para os corruptos José Dirceu, Genoino e Delúbio Soares. O Mensalão do PT e de Lula existiu e agora pouco a pouco todos estão sendo condenados e para a nossa alegria tomara que amarguem uma estadia na cadeia.

Marco Aurélio encerrou a votação que condenou os mensaleiros. O Mensalão existiu. Houve roubo de dinheiro público por parte da direção do PT. Os atores são corruptos e isso quem afirma é a justiça brasileira e não os jornalistas chamados de “PIG” pela frente de batalha do Partido dos Trabalhadores.

Quem será o próximo a ser condenado? O chefe do esquema?



Mensalão: Acabou a farsa do PT



O Supremo Tribunal Federal condenou ontem por corrupção ativa o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, 66, e firmou o entendimento de que o governo federal organizou o mensalão. Seis dos dez ministros do tribunal apontaram Dirceu como o responsável pelo esquema que distribuiu milhões de reais para parlamentares que apoiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso em seu primeiro mandato (2003-2006). A existência do mensalão foi revelada pelo ex-deputado Roberto Jefferson em entrevista à Folha em 2005. O STF também condenou por corrupção o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares.


O plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu ontem a tese central do mensalão, formulada pela Procuradoria-Geral da República. Segundo a acusação, agora aceita pelo STF por 6 votos a 2, Dirceu engendrou e colocou em prática, "entre quatro paredes" do Palácio do Planalto, o esquema de compra de parlamentares com recursos públicos desviados e empréstimos obtidos de forma fraudulenta pelas empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza e pela cúpula do PT.

A decisão derruba a tese, defendida desde 2005 pelo ex-presidente Lula e por líderes do PT, e usada pelo partido para concentrar as acusações no então tesoureiro da sigla, Delúbio Soares, de que tudo não passou de mero pagamento de dívidas eleitorais por meio de caixa dois.

Com a sessão de ontem, já votaram pela condenação de Dirceu os ministros Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Marco Aurélio. Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli absolveram o ex-ministro, dizendo não terem encontrado provas no processo. Dirceu ainda será julgado pelo crime de formação de quadrilha. Os ministros do STF só definirão as penas de Dirceu e dos outros condenados no fim do julgamento.

A maioria seguiu o voto do relator Joaquim Barbosa, para quem Dirceu teve no esquema "posição central, posição de organização e liderança da prática criminosa, como mandante das promessas de pagamento de vantagens indevidas aos parlamentares que viessem a apoiar as votações de seu interesse".

Autor do voto que selou a condenação de Dirceu, Marco Aurélio disse que seria "subestimar a inteligência mediana" imaginar que Delúbio tenha sido o maior responsável por engendrar o esquema. "Ao chegar ao poder, o PT realmente buscou essa base de apoio no Congresso, até mesmo se desfigurando", disse Marco Aurélio. "José Dirceu realmente teve uma participação acentuada nesse escabroso episódio."

O ministro avaliou os favores prestados por Marcos Valério a Maria Ângela Saragoça, ex-mulher de Dirceu, para concluir que o ministro "valeu-se da estrutura do grupo para resolver problemas particulares da ex-cônjuge".

Em seu voto, Cármen Lúcia ressaltou o papel do ex-ministro no objetivo político do mensalão ao dizer que "a ligação de Valério com José Dirceu fica comprovada". Cármen fez um duro ataque ao fato de o advogado de Delúbio, Arnaldo Malheiros Filho, ter admitido "o ilícito" do caixa dois ao fazer sua defesa oral no STF, uma admissão que a ministra qualificou de fato "inusitado e inédito na minha vida profissional".

"Acho estranho e muito, muito grave, que alguém diga com toda tranquilidade que 'ora, houve caixa dois'. Caixa dois é crime. Caixa dois é uma agressão à sociedade brasileira... Fica parecendo que isso pode ser praticado e confessado e tudo bem".

Para Gilmar Mendes, o papel de Dirceu no esquema ficou claro: "Diante do contexto, não há como não se chegar à conclusão que Dirceu não só sabia do sistema de irregularidades de verba como contribuiu intelectualmente para sua estruturação". Na semana passada, os ministros Luiz Fux e Rosa Weber já haviam acolhido a tese de que Dirceu foi o principal protagonista do esquema.

'PRINCIPAL FIGURA'

Ao denunciar Dirceu, a Procuradoria acentuou seu papel protagonista do esquema. Em manifestação no plenário do tribunal no dia 3 de agosto, o procurador-geral Roberto Gurgel declarou que se podia afirmar, "sem risco de cometer a mais mínima injustiça", de que José Dirceu foi "a principal figura" do apurado no processo.

"Foi o mentor da ação do grupo, o seu grande protagonista. Foi José Dirceu quem idealizou o sistema ilícito de formação da base parlamentar de apoio ao governo mediante o pagamento de vantagens indevidas aos seus integrantes e comandou a ação dos demais acusados para consecução desse objetivo."

Também ontem, por maioria de votos, o tribunal decidiu absolver o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto e Geiza Dias, ex-funcionária de Marcos Valério. O julgamento deste capítulo deve ser concluído hoje, com os votos dos ministros Celso de Mello e Carlos Ayres Britto, presidente do tribunal. 

Folha de São Paulo